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das interrogações que me atravessam os dias

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será que não te mostrei a parte mais bonita de mim?

ou talvez não arrumei (escondi?) a bagunça a tempo

de esperar aprumada a tua chegada

e tentar fazer do fogo que me habita

uma morada

de calor agradável

mas ao voltar do devaneio

percebo que meu caos se alastrou

borrando a beleza das minhas fantasias

e de novo dou de/quebro a cara com a realidade

e me pergunto o que faltou pra você ver a parte mais bonita de mim

será que teus olhos são míopes (como os meus)?

ou te colocaram as lentes erradas?

ou quem sabe vendas?

te taparam os ouvidos?

te roubaram os sentidos?

ou são os meus medos alucinados

que tem me tapado os ouvidos

e fechado os olhos entorpecidos

pra não ter que encarar

a realidade

que me rouba o ar

 

 

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vês? como a vida não é apagável?!

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as horas e os dias vão continuar passando

e ainda que às vezes eu quisesse voltar

e rebobinar

não posso impedir a memória de falhar

assim vou desaprendendo todos os dias

para desapegar do passado

mesmo um dia tendo sido pesado

e me pergunto como suspender o tempo

ou fazê-lo passar depressa

pra depois voltar a suspendê-lo

e encontrar o momento exato

em que teus olhos pousaram nos meus

e brilharam

pela primeira

(ou última)

vez

e n o s a r

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os nós doem embolados na carne

gritam entalados na garganta

amanhecem emaranhados nos cabelos

presos em si mesmos

em nós mesmos

através ar

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todos os dias acordar

mil coisas em que te fizeram acreditar

sem ensinar por onde começar

sem falar no amar

onde é preciso mergulhar

pra qualquer sentido real tocar

a verdade e o real encarar

abraçar, tirar pra dançar

e atravessar

tempos esperas peitos distâncias saudades abismos mundos

  e todo ar

 

 

 

Às margens de linhas tortas

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Não sei onde foi que me perdi

nem por que meus olhos resolveram pousar longe

ou quando foi que me distraí de mim

e me peguei escrevendo e vivendo

nas margens de linhas tortas

fugindo de qualquer forma de correção

sigo tentando ser fluxo

dançando a fuga

para que não me descubram

que não me peguem

que não me apaguem

e nem me enquadrem

e se minhas pernas falharem

e todos os esforços não forem suficientes

que ainda assim não me calem

que minhas palavras sejam corpo para minha alma

e voem

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de todo ar

criar

um mar

de amar

Amarcriar

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Encontro e vou juntando os arremedos de mim

Não para colá-los de volta

(já que não há como voltar)

Tentar montá-los

Num eterno

Quebra-cabeça

Não vai funcionar

E não vejo mais cacos

Da partida

Não estou quebrada

Estou viva

E dos pedaços nascem flores

Que me levam a um novo olhar

À espera do raiar

De um novo dia

Para transmutar

Ressignificar

E com todas as partes de mim

Amarcriar

Uma nova obra

Em eterno progresso

e presente