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b r e u

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teu olhar atravessou

o espaço e o tempo

pra me encontrar

e desconsertar

e ainda que aqueles dias

estejam no passado

e os lençóis lavados

já tenham secado

a memória daquele frame

ainda me rouba o ar

e me faz desejar

mais instantes

pra deitar meus olhos e segredos

na curva do teu peito

e de novo suspender o tempo

pra então saltar

de um trampolim

sem paraquedas

e sem ter fim

me entregar

ao abismo mais bonito

e mais brilhante que já vi

o breu

dos olhos

teus

 

 

 

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v o a r

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às vezes dou voltas

e me pego andando em círculos

tentando alçar voo

logo eu que mal aprendi a andar

e descaminho

tropeço

por descuido meu ou das ruas dessa cidade

querer voar

sem temer a queda

me quebrar

antes mesmo de sentir a dor rasgar

músculos pele ar

e asas

b r o t a r

e m p u n h o

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se o mundo está de ponta cabeça

e eu às vezes sou o avesso

abraço o caos

ainda que eu não entenda

a lógica

de defender o amor

com a guerra

em punho minha arma

flor

luz dos olhos (ou o frame mais bonito que guardei)

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às vezes me pego

tentando extrair o aroma

e eternizar o gosto

talvez doce

dos olhos que me atravessaram

que se deitaram sobre mim

e se demoraram

o bastante

pra suspender os segundos

e gravar o brilho dos teus olhos

em frame secreto

e queimar

com a faísca

incendiar

 

r a i a r

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nessa eterna manhã de despertar

de um dia em que as nuvens choraram

mas o sol que dormia dentro queria raiar

e notei os lençóis que ainda continham

cheiros e lembranças que prefiro não nomear

mesmo que suas iniciais estejam gravadas em mim

e por mais que eu não queira me exaltar

talvez os quisesse afogar

lençóis fronha cama bagunçada

insistiam em falar

e eu já cansada

queria me entregar

esperar outro dia chegar

trazendo uma amnésia um silêncio um novo ar

que pudesse fazer calar tanto esperar

que me ajudasse a respirar

e finalmente tirar

os malditos cheiros lençóis pra lavar

e acalmar o lar

que sou eu

a flor ar

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amanheci de um sonho feliz

parecia não ter fim

despertei quando as cores se foram

e no escuro senti o gosto amargo

das mentiras que goela abaixo me enfiaram

e que nas entranhas se plantavam

adormecidas as deixei ficar

sem saber como expurgar

as verdades que afloram

 

 

quedarse

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ali na curva do teu pescoço

deitei um segredo adormecido

e logo que piscaram os olhos

quedou totalmente esquecido

e amanheci ao perceber

na ausência de sentido

a tênue linha entre

a dor e o prazer

e nem suspeitei que se alastravam em mim

mas os senti quando enfim

numa esquina qualquer

minha carne se torceu em nós

que tento desfazer com as mãos

e expurgar com a voz