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Retrato do artista quando jovem

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“Não servirei aquilo em que não acredito mais, chame-se isso o meu lar, a minha pátria ou a minha Igreja; e vou tentar exprimir-me por algum modo de vida ou de arte tão livremente quanto possa, e de modo tão completo quanto possa, empregando para a minha defesa apenas as armas que eu me permito usar: silêncio, exílio e sutileza.”
James Joyce

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sobre uma tarde no coração lar

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tenho sentido o tempo nos meus músculos ossos cabelos

mudo e sou muitas em todos os tempos

que meu espírito percorre

e uma delas de mim

pequena

e ao meu redor crianças e

brincamos dançamos sorrimos

é preciso encontrar o que faz o coração bater

os olhos brilharem

o pulsar da vida

e ampliar

o amar

 

 

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Há dois anos desenterrava memórias

e sigo escavando

não para voltar ao passado

(afinal não é possível voltar)

mas me revisito para tentar entender

talvez me prever e não me prender

nas armadilhas

nem cair nas fogueiras

que me atraem todos os dias

mas queimar ainda assim

ser a faísca

a chama

o fogo

 

1

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houve um tempo

em que eu acreditava em me jogar

mesmo que fosse me quebrar

como se aquela entrega fosse a minha única forma de intensidade

ou

de uma verdade absoluta um amor incondicional

a única maneira de sentir

e estar viva

mas descobri no meu descaminhar

que minha maior entrega era ser inteira

e

ir juntando os pedaços

daquilo que foi quebrado

que se recicla renova e renasce

para florir

e além ir

 

 

fever

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Minha pele fervilhava em dúvidas que brotavam dos meus poros.

Não era o calor habitual, não era suor, era a febre da dúvida que se instalava em mim. Ou que já vivia como um vírus silencioso aguardando o momento de se manifestar.

Ou ainda, imagino que minha miopia possa ter me cegado por algum tempo.

Fato é que parecia me habitar uma espécie de interrogação febril que me confundia os sentidos e bagunçava todos os lugares de mim. Nada mais parecia sólido, firme, estruturado. Nenhum chão pra caminhar, dançar ou cair.

Eu, hospedeira de uma crise um delírio um vazio imenso onde antes repousavam minhas certezas.

Blue

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hoje entardeci azul

transformei meus olhos em água salgada

observei meus sapatos puídos de tantos descaminhos

escorri pela minha pele o desejo de fugir urgir rugir

abracei o meu caos

agarrei o meu destempero

destrocei a minha ternura

e me fiz tempestade

n ó s

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Sou. Estou.
Em mudança constante, alteridade, como algo (ou tudo) que está vivo. E pulsa, respira.
Vejo no que já não sou mais o passado. Mas há aquilo que é essência e sempre será.
Mudo e sou muitas, múltiplas e em todas quero o melhor. Para dar e receber.
Sou e estou e o tempo todo pulso o novo, redescubro algo que havia esquecido nesta ou em outra vida. Vou me lembrando de quem realmente sou, do poder que tenho em minha essência sagrada, a luz que nasce e renasce.
Como a Lua.
Sou criança, sou ar. E fogo e terra e água.
Posso ser mãe, anciã e ancestral. Mas por enquanto só estou.
Aqui.
Sendo amparada por todas as que vieram antes de mim, entendendo a luz e as sombras. E o que existe entre elas, que se necessitam para existirem.
Como nós.