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antes de tudo

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No princípio                                                  

                              nada 

e do caos

Princípia

O nada, inexplicável. Quase intangível. O nada não se explica, não pede porquê, licença, desculpas, não quer ser pensado.

Houve desde

                                 não se sabe                                                                                                                                                           apenas   

                                                                                                            existe 

O caos se instala sobre o nada, pressionando-o contra as paredes da existência, implodindo e explodindo todos os momentos que se querem agora. Que se fazem agora. O caos é real. Primitivo e presente. Sempre presente. Não se pode apalpá-lo. O caos, que assim como o nada não pede licença, só pode ser sentido através de si mesmo. Em tudo que é caótico e quente. E ferve. É possível senti-lo através das batidas. Do corpo, do som, da terra. Das potestades que pulsam nas origens.

Pulsam até o ápice, até que não haja possibilidade de ordem, mas de condensação, grito, furor, manifestação.  Até o momento em que o vermelho ecoe em meio ao caos, nascendo divinA, e a terra apenas respire.

Respirem. 

Uma deusa nunca nasce em silêncio. Ela molda a existência das palavras, dos sentidos, dos gritos e ânsias vindos das entranhas. Grita, ruge, uiva e ri. Se faz ouvir com e das entranhas. 

Vida  

                        que           nasce  

                                                                    crua      

                                                                                             nua

                                                                                                         

                                                                                                a vida e o caos

                                                                                                                       a vida é

e caminham juntos, diálogo que parece apenas ruído. Ora grita o caos; ora grita a vida. E quando juntos, o divino sempre se manifesta. É assim, desde sempre.

Os deuses não conhecem a solidão.

Deusas não conhecem a solidão. Criam-se umas às outras, dão vida à vida que lhe deram. Brigam, lutam, amam, odeiam, sangram, bebem, gozam. Dão luz vida e morte ao vermelho que lhes saiu das entranhas mais profundas. Criam o efêmero, que já nasce com o peso da morte nas costas. Mas que também é vivo. É carne, sangue, cerne. Osso, pelo, cabelo, fúria. E alma. Almas que se acariciam e que descobrem o mundo a cada respiro.  

Que seja possível tocar o eterno.  

Evoé!

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b r e u

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teu olhar atravessou

o espaço e o tempo

pra me encontrar

e desconsertar

e ainda que aqueles dias

estejam no passado

e os lençóis lavados

já tenham secado

a memória daquele frame

ainda me rouba o ar

e me faz desejar

mais instantes

pra deitar meus olhos e segredos

na curva do teu peito

e de novo suspender o tempo

pra então saltar

de um trampolim

sem paraquedas

e sem ter fim

me entregar

ao abismo mais bonito

e mais brilhante que já vi

o breu

dos olhos

teus

 

 

 

luz dos olhos (ou o frame mais bonito que guardei)

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às vezes me pego

tentando extrair o aroma

e eternizar o gosto

talvez doce

dos olhos que me atravessaram

que se deitaram sobre mim

e se demoraram

o bastante

pra suspender os segundos

e gravar o brilho dos teus olhos

em frame secreto

e queimar

com a faísca

incendiar

 

repara bem no que não digo*

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não por falta de tentativas

talvez pelo cansaço destas

mas ainda assim

não entregar os pontos

crer em minha força essência e verdade

mesmo que minha voz definhe

ou que tentem distorcê-la

ainda terei algumas palavras

poucas ou parcas

guardadas em redoma

ou relicário

as palavras mais bonitas

que eu achei pra te dar

como saudades

morada

criar

nós

e outras

empoeiradas

e há tanto tempo

guardadas

que temo desconhecê-las

dissipadas

e esquecidas

*Paulo Leminski, perdoa, mas tua poesia me caiu tão bem hoje…

vês? como a vida não é apagável?!

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as horas e os dias vão continuar passando

e ainda que às vezes eu quisesse voltar

e rebobinar

não posso impedir a memória de falhar

assim vou desaprendendo todos os dias

para desapegar do passado

mesmo um dia tendo sido pesado

e me pergunto como suspender o tempo

ou fazê-lo passar depressa

pra depois voltar a suspendê-lo

e encontrar o momento exato

em que teus olhos pousaram nos meus

e brilharam

pela primeira

(ou última)

vez

através ar

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todos os dias acordar

mil coisas em que te fizeram acreditar

sem ensinar por onde começar

sem falar no amar

onde é preciso mergulhar

pra qualquer sentido real tocar

a verdade e o real encarar

abraçar, tirar pra dançar

e atravessar

tempos esperas peitos distâncias saudades abismos mundos

  e todo ar

 

 

 

Amarcriar

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Encontro e vou juntando os arremedos de mim

Não para colá-los de volta

(já que não há como voltar)

Tentar montá-los

Num eterno

Quebra-cabeça

Não vai funcionar

E não vejo mais cacos

Da partida

Não estou quebrada

Estou viva

E dos pedaços nascem flores

Que me levam a um novo olhar

À espera do raiar

De um novo dia

Para transmutar

Ressignificar

E com todas as partes de mim

Amarcriar

Uma nova obra

Em eterno progresso

e presente