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Sobras de julho.

Publicado em

amanda 7 agosto 2013

Julho passou cinza, deixando um negro rastro de fumaça no ar.

Julho deixou seus arranhões em mim, cobriu-me de rachaduras e dores que gritam por dentro.

Pegou-me nos braços e do abraço fez-se sufoco, um estrangular sem saídas pela tangente.

Julho beijou-me os olhos, depois cuspiu-me sem pudores.

Dos dias mornos, fez-se a geada. Da apatia, a angústia.

Do riso fez-se a loucura.

Julho jogou-me cinzas nos olhos e botou-me nua a menos 2ºC. Riu-se, lambuzou-se e partiu.

E de mim, nada restou.

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Em outras palavras

Publicado em

Eu nunca quis ser fraca. Nunca fugi da briga. Nunca sangrei sem ter pedido por isso. Nunca pedi desculpas por quem eu sou, por quem serei daqui a pouco.

E nem pedirei. Não peço desculpa por ter coragem de cruzar a linha, de quebrar as portas, as cercas e as pedras do caminho.

Acredito firmemente em tudo que ainda não foi dito e que por mim, será. Nenhuma força virá me fazer calar.

Aos tropeços foi que aprendi a caminhar, levantando com a ajuda do vento batendo nas costas. Agora, companheiros de batalha, caminhamos lado a lado, peito aberto, mente serena e coração inquieto. Como já disse um eterno: quem tem alma não tem calma. E por isso canto, grito, explodo, sangro e sou tudo que não pode mais se calar.

(in)finitude. (ou, o abismo vazio)

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Há certas vezes em que não se pode deixar de perguntar. Vezes há em que só se pode duvidar de tudo.

Não é que desconfie, apenas tenho dúvidas, quase transparentes, mas que sempre me cutucam de leve, como que para pedir-me um pouco de atenção.

Paro, escuto-as, encaro-as com a maior serenidade que consigo. E se não consigo, mostro minha fraqueza diante desses pequenos nódulos de perguntas vazias.

Me pego imaginando um outro universo, uma outra (sur)realidade, algo infinito, maior, algo que eu pudesse tocar como a mim mesma. Algo para fazer parte.

Mas há coisas que não se encaixam em lugar nenhum, e não se encaixarão, nunca. Cedo ou tarde percebe-se que apesar de todas as tentativas e atos falhos, a essência é oblíqua, a imensidão do lugarnenhum vence todas as efemeridades.

Será que também eu não passo de uma pergunta vazia?

Até onde irão minhas andanças e escaladas e tentativas? Até onde caminharão minhas verdades e mentiras, se tudo não passar de um ponto vazio?

Dúvidas há que nunca se dissolverão, que vão sempre vagar, eternas, na memória de quem um dia as teve.

Dispo-me. Tento ficar nua de mim mesma ao atravessar essa nuvem de inconclusões. Não pensar em nada, deixar o coração acalmar e o sangue congelar. Dói menos ser de vidro, dói menos ser um bloco de gelo.

Às vezes queria voltar às coisas simples, ao arroz de sábado, ao bom dia do cobrador, o abraço do meu cachorro, o teu olhar dos primeiros dias… a minha certeza, a minha infinitude.

Aonde o eterno foi parar?