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r a i a r

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nessa eterna manhã de despertar

de um dia em que as nuvens choraram

mas o sol que dormia dentro queria raiar

e notei os lençóis que ainda continham

cheiros e lembranças que prefiro não nomear

mesmo que suas iniciais estejam gravadas em mim

e por mais que eu não queira me exaltar

talvez os quisesse afogar

lençóis fronha cama bagunçada

insistiam em falar

e eu já cansada

queria me entregar

esperar outro dia chegar

trazendo uma amnésia um silêncio um novo ar

que pudesse fazer calar tanto esperar

que me ajudasse a respirar

e finalmente tirar

os malditos cheiros lençóis pra lavar

e acalmar o lar

que sou eu

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a flor ar

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amanheci de um sonho feliz

parecia não ter fim

despertei quando as cores se foram

e no escuro senti o gosto amargo

das mentiras que goela abaixo me enfiaram

e que nas entranhas se plantavam

adormecidas as deixei ficar

sem saber como expurgar

as verdades que afloram

 

 

não temer

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eu nunca quis ir embora do meu país

já quis sair de casa

em busca de liberdade

e outros ares para respirar

desejei sair até de mim

pra me encontrar

mas eu quis sair pra voltar

com algo novo pra contar

das sementes que podem brotar

em cantos onde o amor regar

mas não sei se sonho demais

não quero temer

porque o medo fede

mas e esse susto que me assola

ao ver meu país lar

minha terra mãe

tomada por uma doença tão vil

que não sei se nossa terra ainda pode ser fértil

depois de tantas violências

as nossas raízes

tão maltratadas

e agora meu sonho parece mais longe

um devaneio infante

em meio à este espetáculo de horror

protagonizado por monstros em ternos caros

vomitando e alimentando outros monstros

nem sempre tão bem vestidos

mas em essência reconhecidos

na falta de caráter e desumanidade

vocabulário e pensamento reduzidos

da ordem fazem ódio

e progresso

ainda não fui vencida

não estou sozinha

não sei que armaduras podem nos proteger

nem quando foi que nos botaram nesta guerra

estou à margem do abismo

e tento salvar meu sonho da queda

pra que ele alimente a mim

e outros que estão à margem

e cresça

para que ela se alastre

e que nossas armas amores e flores

sejam fortes e luminosos

para acabar com a cegueira

estancar a sangria

e num suspiro aliviado

ver nascer um novo dia

 

a palavra mais bonita

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li em algum lugar que

saudade é uma palavra

que só existe na língua portuguesa

e não sei como poderia des crê ver

em qualquer outra língua

o que sinto como uma pontada na nuca

que me atravessa de vez em quando

na bagunça dos dias

e daquilo que guardei bem no fundo

de uma solitária

que agora descubro não ser tão bem vedada

e nem à prova de som

e vejo vir à tona tudo que foi calado

num tsunami que

ainda assim

não consigo tocar

o mundo fora daqui

e só por hoje

a f o g o

 

 

das interrogações que me atravessam os dias

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será que não te mostrei a parte mais bonita de mim?

ou talvez não arrumei (escondi?) a bagunça a tempo

de esperar aprumada a tua chegada

e tentar fazer do fogo que me habita

uma morada

de calor agradável

mas ao voltar do devaneio

percebo que meu caos se alastrou

borrando a beleza das minhas fantasias

e de novo dou de/quebro a cara com a realidade

e me pergunto o que faltou pra você ver a parte mais bonita de mim

será que teus olhos são míopes (como os meus)?

ou te colocaram as lentes erradas?

ou quem sabe vendas?

te taparam os ouvidos?

te roubaram os sentidos?

ou são os meus medos alucinados

que tem me tapado os ouvidos

e fechado os olhos entorpecidos

pra não ter que encarar

a realidade

que me rouba o ar

 

 

e n o s a r

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os nós doem embolados na carne

gritam entalados na garganta

amanhecem emaranhados nos cabelos

presos em si mesmos

em nós mesmos

Blue

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hoje entardeci azul

transformei meus olhos em água salgada

observei meus sapatos puídos de tantos descaminhos

escorri pela minha pele o desejo de fugir urgir rugir

abracei o meu caos

agarrei o meu destempero

destrocei a minha ternura

e me fiz tempestade