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Caos à Vontade – Nuvens

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Acalma essa alma imoral…

 

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Enfim, um começo.

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Ela sorria.

 

Simples, sem grandes cerimônias.

Como criança que devora seu doce preferido. Como há muito tempo não se ousava sorrir.

Primeiro, desajeitadamente, como se estivesse prestes a cometer um crime, uma espécie de sacrilégio, do qual seria perpetuamente culpada.

Aos poucos foi deixando. Que o tempo passasse, que as luzes se apagassem, o mundo haveria de se acostumar.

Então, pela primeira vez, percebeu-se: já não carregava tantas bagagens, tanto esquecimento. Espaço não mas havia: transbordara-se. Assim, não tendo escolha, tornou-se leve. 

Sabia-se feliz e isso lhe bastava. Sem grandes afirmações e filosofias de vida, um dia acordou e era feliz, pronto. Que mal há nisso? Quem a julgaria?

Que falassem. Era inevitável, nada havia a ser feito.

Depois de tantas andanças, de tantos nós desatados, fins abruptos e inícios desavisados, lá estava ela. De volta ao começo, sorrindo.

 

Coração surdo.

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(Corações Surdos – Harmada)

Agora esquece tudo que eu tentei cantar
O filme terminou nessa sessão
Ninguém espera mais qualquer atriz
E não se canta mais qualquer refrão
Agora inventa uma desculpa pra mudar
E pede a Deus pra não continuar cansada
Quando alguém se despedir
Quando você se levantar amanhã
E não quiser sair
Seus olhos vão saber
Que lá fora a noite diz seu nome
Letreiros de qualquer lugar
Nas casas, luzes na TV
Seu rosto em grande angular
Iluminando uma cidade que não quer te ver cansada
Cansada.

Corações Surdos – Harmada

Um grande ARGH!: Festival de Curitiba.

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Quase três semanas se passaram desde o fim do Festival de Curitiba. Desde então, venho tentando “digerir” o evento, em toda a sua extensão. Confesso: ainda estou com o estômago embrulhado.

Metáforas à parte, devo primeiramente dizer que sou estudante de teatro, pretensa atriz e por que não, crítica. Mas antes de tudo isso, sou público. Pagante, ou não. Sou espectadora, participante, parte de um acordo selado logo à entrada do teatro (salvo apresentações de teatro de rua, mas os acordos existem, sim). E como público, quero me emocionar, me transportar para outro lugar-espaço-tempo-história. Não quero que uma hora se transforme em quatro, que o meu relógio se torne mais interessante do que o que está sendo apresentado. Eis a primeira questão: quais são os critérios para seleção dos espetáculos da mostra oficial do Festival de Curitiba? Qualidade? Nomes famosos? Figurinhas carimbadas desta ou daquela emissora?

Infelizmente o que menos vi foi qualidade. Montagens com figuras consideradas gabaritadas e de renome fazendo feio, apresentando produtos que não chegavam ao nível de entretenimento, pois nem nesse quesito conseguiam cumprir tabela. Vi trabalhos dotados de tanto clichê, que me senti lesada por ter pago R$25,00 (meia-entrada) para assisti-los, ansiando por qualidade e alimentando as expectativas despertadas através de fotos e sinopses, expectativas estas, frustradas.

Chego a cogitar a hipótese de pedir reembolso por alguns espetáculos, como um, que por se tratar de um texto clássico, gerou certo interesse e decepcionou fortemente, ao apresentar uma quase leitura-dramática, com atores canastrões e péssima direção de cena, se considerarmos que foi apresentado no Teatro Paiol, em formato de semi-arena, tendo uma direção típica de palco italiano. Além disso, cenário e figurinos eram praticamente inexistentes, deixando a desejar, em vista do alto preço do ingresso.

Notei que muitos espetáculos fizeram a sua estréia nacional ou internacional no Festival. Ao mesmo tempo em que isso pode sinalizar prestígio para o Festival e o público curitibano, se tratando de nomes como a Cia de Dança Deborah Colker, por exemplo, também pode soar como descuido, visto que muitas dessas peças não passaram pelos termômetros principais, como o contato direto com o público e a análise dos críticos.

Outro fator que chama a atenção da curadoria do Festival de Curitiba, são os prêmios, falando agora de montagens que já contam com algum tempo de circulação. Esse critério é mais aceitável, quando comparado ao anterior, visto que traz trabalhos já reconhecidos, isso se não colocarmos em dúvida o padrão de qualidade levado em conta pelos veículos que premiam tais produções.

Todos os anos, o Festival, em especial a sua mostra oficial, oferece várias peças com atores, produtores, diretores, etc bastante conhecidos, seja por estamparem folhetins de emissoras famosas, seja por realizarem mega-produções, ou ainda por serem nomes consagrados no panorama artístico.

Uma das minhas maiores decepções nesse Festival, engoli sem querer, no susto: Adultério. No dia 31 de março, a (des)organização do Festival de Curitiba divulgou que haveria uma sessão extra gratuita do espetáculo Anjo Negro, no Teatro da Reitoria, às 19 horas. Às 18 horas eu e mais algumas pessoas já nos agrupávamos em frente ao teatro, esperando a distribuição dos ingressos, quando o boato de que a peça apresentada não seria a divulgada, começou a rolar. Justificaram dizendo que a apresentação seria Adultério, do grupo Atores de Laura, e que houve um “equívoco” na divulgação. A péssima impressão que fica é que utilizaram o nome Anjo Negro como chamariz de público, já que essa montagem estava com ingressos esgotados e grande procura.

Equívoco ou não, fato é que trata-se de mais um caso de desrespeito com o público, mais um, para a coleção desse nosso Festival de Curitiba, anteriormente Festival de Teatro de Curitiba.

Desta coleção ainda fazem parte: a extensa lista de atrasos ocorridos nos espetáculos; preços muito altos, para um festival que está pago antes mesmo de abrir sua bilheteria; dados divergentes na programação (site e livreto); cancelamento de apresentações; peças de rua que não aconteciam ou simplesmente mudavam de local, sem aviso prévio.

No primeiro fim de semana, fui assistir à montagem da Sutil Cia, acreditando que ficaria no respectivo teatro por duas horas, como constava no livreto da programação. Assim, comprei também ingresso para assistir à outra montagem, muito comentada e que ansiava por ver: Oxigênio, da Cia Brasileira de Teatro. Porém, a peça da Sutil tinha mais de três horas de duração, e assim sendo, perdi meu dinheiro, o ingresso e (mais ainda) o respeito pela organização do Festival.

Além disso, um espetáculo que conta com mais de três horas de duração, não deveria estar em cartaz às 21 horas (sem falar no atraso de meia hora) em pleno domingo. O Festival acontece, parece festa, mas a maioria das pessoas precisa trabalhar para pagar os ingressos de tal entretenimento e conclui-se que acordam cedo. E aí está, mais um grande descaso com o público, que sai do teatro à 1:30 da manhã de uma segunda-feira.

Venho acompanhando o Festival de Curitiba há alguns anos. Suas mudanças, facetas, preços, equívocos… Já vi edições anteriores melhores. Questiono então, a postura do “quanto mais melhor”. Notadamente, o Festival vem crescendo a cada ano. Quantidade, sim, mas em detrimento da qualidade, já que não há mais uma forte preocupação em selecionar o que será oferecido. O que se quer é poder dizer que temos o maior festival de teatro da América Latina. E será o pior também?

Critico sim, de forma veemente, muitas posturas do Festival de Curitiba. Vejo que há uma subjetiva cultura de pão e circo, se pensarmos no tamanho do público que vai ao Festival e no público que frequenta teatro também durante o resto do ano. Tais públicos se comportam de maneiras distintas: o público do festival se comporta quase como palhaço, aplaudindo de pé tudo o que veem, mesmo que tenham dormido a maior parte do espetáculo; já o público tipicamente curitibano, mais reservado, geralmente só aplaude de pé o que tem mérito para tanto. Então o que seria agora o Festival de Curitiba, mais do que um grande encontro multi-artístico? Um evento caro para burguês ver?

Para não citar somente os pontos negativos, acredito no posicionamento do Festival enquanto evento multi-artístico. Shows como o da banda Pato Fu (aliás, a melhor coisa que vi nesse Festival) conquistaram platéias de todas as gerações, trazendo mais dinamicidade ao Festival, e é claro, mais público.

A conclusão a que me permito chegar, enquanto profissional do meio e também espectadora assídua, é que desacredito cada vez mais o Festival de Curitiba. Seus pontos negativos superam em muito os positivos. E assim, não mais comprarei ingressos exorbitantes, não mais farei papel de palhaça (com todo respeito à esta categoria, que amo e integro). Não criarei expectativas para com um evento que não mais surpreende e quase não emociona. Não pagarei para ser derespeitada por um Festival que negligencia a qualidade de sua produção e também o seu público.

——

Agora dá licença que eu vou ali tomar um “Eno” pra ver se curo essa azia pós-festival.

“Entre”, de Carla Faour.

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Ótimo texto de Carla Faour, publicado no site Drama Diário.

Aí vaí um trechinho, e se gostarem, confiram na íntegra, em: http://dramadiario.com/2010/10/entre/

“(…) Sou a antítese, a síntese e a resenha.

Sou o rascunho do eu que gostaria de te dizer.

Só não me acuse de parcimônia. Dou razão às dúvidas, sou pródiga em contrastes, generosa com as manias, exuberante nas explicações.

Mas desminto tudo com facilidade. Sou leviana, não por má fé. (…)”

Ver mais.

#serblogueiro

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Escrever é tarefa razoavelmente fácil. Seja por linhas tortas, retas, entrelinhas ou mesmo em círculos.

E foi assim que iniciei minhas andanças nesse mundo de blogs, sites, revistas online. Too much information.

Eu não escrevo sobre moda, comportamento, música. Mas sou reflexo de tudo isso, e o meu reflexo é o Circunstância Qualquer. Já tentei, tive um blog sobre música, na tentativa de compartilhar música de qualidade com qualquer um que se interessasse, nesse mundo virtual. Larguei no meio caminho, e por quê? Porque não via perspectiva de crescimento. E infelizmente essa é a realidade de muitos e tantos blogs por aí. Deixei de lado minha pretensão de adolescente-wannabe-indie e comecei a escrever aleatoriamente.

Primeiro pequenas impressões de momentos cotidianos. Depois fui aparando as arestas, ao mesmo tempo que formava em mim, o labirinto que me é necessário para escrever. Foi assim mesmo: criei algo que pudesse alimentar a minha escrita. Criei demônios internos que expurgava em forma de palavras, lentamente condensadas.

No início, mantive segredo. Não tinha pretensões em relação ao blog, pelo contrário: tinha vergonha que me lessem pelas entrelinhas.

Num segundo momento, depois de alguns olhares curiosos e interessados, resolvi blogar com maior frequência e passei a divulgar o blog via mídias sociais. O retorno foi positivo, apesar de sempre pequeno, o que eu já esperava de um blog composto basicamente por fragmentos literários, feito à duas mãos. Passei noites acordada até tarde terminando textos, refazendo o que já estava pronto, tentando oferecer o melhor.

Fato é que parece mais difícil a blogs nesses moldes (acredito que principalmente os literários) chamarem a atenção. Não são para consumo rápido, imediato, fast-food. Necessitam de uma boa digestão, alguns goles para fazer descer. Não se compõem apenas de imagens bonitas ou provocadoras. Inevitavelmente, pedem mais tempo para degustação, o que desperta a velha companheira de tantos momentos: a preguiça.

E não é só. É difícil fazer circular o seu trabalho, ou mesmo o produto do seu ócio quando não há nenhum tipo de incentivo a blogs desse porte e só querem mesmo é saber de blogs que “custam” (ou ganham?) um milhão de reais. Os que não tem esse tipo de incentivo trabalham muito para conseguir um pouco de visibilidade e geralmente nenhum retorno financeiro.

Um sonho: que todos os blogueiros que se esforçam pra manter esse trabalho tão importante em voga, sejam reconhecidos. Através de suas letras, críticas, fotos, resenhas ou manifestos. Que mais do que lidos, nós sejamos ouvidos.

E vam’bora, que essa caminhada começou.

O infinito de uma espera.

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Ela esperava de (a)braços abertos.

Metafórica e realmente. Passava os dias vendo a vegetação crescer ao redor, sentada na velha estação, olhos impacientes à espreita, procurando.

Aguardava um trem, mesmo que não soubesse qual. Quando chegasse, saberia, teria certeza (a primeira de sua existência).

Ao longe, ouvia os apitos, na esperança de que finalmente se aproximassem. No fim, sem saber por que nunca chegavam, resignava-se em uma incompreensão levemente confortável.

Cansada, sentou-se, o corpo solto. Longa espera na infinitude de suas tímidas (des)esperanças. Preparava pacientemente as desculpas que daria se tudo falhasse, num futuro próximo.

Ensaiava a confissão dos seus desejos mais calados enquanto esperava a chuva cair, como todas as tardes, àquela exata hora. As gotas deslizando lentamente, escorrendo como os minutos de sua espera, os desenlaces de suas incoerências.

Sempre os mesmos dias…

Buscava entre tantos instantes uma certeza imediata, aleatória, qualquer coisa concreta para ter de companhia. Havia o pó, ao seu lado no banco, que aumentava com espantosa rapidez.

Durante um entardecer qualquer, sépia como todos os outros, deparou-se com um reflexo: uma imagem curvada, cabelos embranquecidos. Enfim, depois de tantas batalhas ocultas, tantos silêncios afiados, o grande encontro acontecera: ela estava diante do tempo.