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Sobrepesos

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De alguma forma, descobri que envelhecer é ganhar peso. É carregar todas as malas, sacolas, bolsas, caixas e vidas que até então eram suportadas pela quase bondade de outros seres, velhos e desgastados, que por ventura, cruzaram o nosso caminho. Como se flutuássemos, carregados pelos seres em que nos tornaremos a seguir, e de repente, o fio se partisse, a luz acendesse e os laços estivessem soltos. De sobra, apenas o baque de um corpo sozinho voltando pro chão, com correntes pra arrastar por uma vida inteira.

É perder o tempo e ganhar, com alguma sorte, bagagens que se possa transportar pelo mundo. 

Em algum ponto do caminho, descobri que envelhecer é ganhar a companhia da solidão. É mais do que soprar velinhas ou ter cabelos brancos ou usar creme anti-sinais. Uma espécie de substituição acontece quando os laços se desfazem: vão-se os que estão mais perto do fim, e em troca, ficam as bagagens e a solidão, que só poderá ser disfarçada quando chegar a hora de carregar pesos alheios.

Descobri, por fim, que tudo isso acontece no mais silencioso escuro, sem avisos prévios, pistas e cerimônias, e que não há tempo para choques ou adaptações.  É preciso andar antes que os pesos se tornem âncoras presas no fundo do abismo do tempo.

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Sobre Amanda

Atriz da Cia CemCulpas e escritora de meia tigela.

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