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Pulso.

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São muitas as palavras que não couberam na minha boca. Os gritos que a cada rompante reviravam as entranhas.

Os sons que diante do caos, se espalhavam como pequenos apocalipses. Lapsos de perdas: de memória, de tempo.

No céu, sonhos explodiam no ar, como fogos que anunciassem o fim. 

Eu via a minha imagem refletida nos estilhaços que caiam, colorindo o mundo de vermelho.

Nunca foi fácil viver com um coração que não cabe dentro do peito. Que não cabe na carne, nos ossos, no ventre, na boca, em parte alguma.

Eu vacilo, perco o equilíbrio com essa outra vida que me faz pulsar, dentro e fora, como se abraçar o mundo fosse possível.

Vivo muitas vidas, ainda que esse músculo que bombeia sangue para o corpo, me faça febril, mortal, efêmera. Vivo todas as vidas e morro com elas pra continuar vivendo. 

Todos os dias, engulo esse coração que insiste em querer saltar pela boca. E ele bate, me bate, me estrangula por dentro. 

Eu caminho, carrego o peso desse monstro que nunca dorme, guardado em mim. Eu corro, abraço o mundo, rio até chorar, tento fugir, mas ele não pára. 

E não vai parar enquanto eu gritar tudo que nunca foi dito, enquanto existir algo pra procurar. O que o seu coração está procurando?

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Sobre Amanda

Uma atriz com um leão a rugir no peito.

Uma resposta »

  1. Ana Karenina

    Quem sabe ele procure alguém como eu!

    Responder

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