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Waking.

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Eu não vi o tempo passar. E agora sinto-o pesar no meu corpo, no ar ao redor, nas cores envelhecidas, no cheiro de mofo que me acompanha por onde vou.

Sempre acreditei que caminhar me levaria a algum lugar e que o tempo não poderia simplesmente me esmagar. 

Caminhei de olhos fechados pelo que me parece agora, uma eternidade. E de olhos fechados, não pude ver que andava em círculos em torno de coisas mortas.

Talvez não percebesse que não saía do lugar justamente pela falta de vida. Os mortos não falam. As coisas mortas, menos ainda.

Dei voltas, muitas. Abri buracos sobre a terra, a ponto de quase me enterrar. 

Quando abri os olhos, descobri que matar as coisas mortas é mais difícil do que se imagina. A falta de vida que contêm, é mais cruel do que qualquer mortalidade. Elas continuavam ali, esperando. Quietas, cheias de histórias e poeira. E eu que caminhava em busca de mais vida, de talvez uma amnésia que pudesse ser um começo, tropecei nas coisas mortas que esqueci de enterrar. 

 

Antes tarde do que nunca.

 

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Sobre Amanda

Atriz da Cia CemCulpas e escritora de meia tigela.

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