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Não mais.

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Um dia alguém se perguntou por quanto tempo um ser humano sangra até ficar completamente vazio.

Doar-se é sangrar. Não por si mesmo, mas pelo mundo e pelas coisas em que se acredita. 

Dia desses eu me cortei, sem perceber. Tarde demais, o sangue já ia dando adeus, dobrando a esquina e então a ficha caiu. Sempre tarde demais.

Se eu sangrava – e sangro -, o vazio crescente não me pertence. Não sou a única com as mãos manchadas de sangue. 

O vazio é inaceitável. Nem mesmo as moscas pairam sobre ele. Mas enquanto há sangue para correr, nos mantemos de pé, temos um nome, somos reais e existimos para o mundo. 

Hoje eu olhei para mim. Percebi que tenho cortes por todo o corpo, que nunca doeram. Mas agora eu sei que eles existem e que não vão parar de sangrar.

Tarde demais.

 

 

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Sobre Amanda

Atriz da Cia CemCulpas e escritora de meia tigela.

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