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Valsa do novo mundo novo.

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Acontece que hoje ela ouviu uma música antiga. Foi entrando meio sem pedir licença, pelos ouvidos. E começou a cantar.

E continuou a cantar. Mais alto que a música.

Impunha seu tom, e cantava, cantava… fechava os olhos devagar, quase sem notar.

E se caísse em si, perceberia que dançava, e rodopiando abandonou a sua humanidade. Agora ela era toda música, era vento, era gravidade e a falta dela, era impulso de vida que morre a cada segundo para ressurgir, maior e mais livre.

O mundo lá fora já não era o mundo de dentro e ela ouvia a música que mais ninguém podia ouvir, como se sempre tivesse sido assim e não pudesse haver quaisquer outros sons. Sons? Não, não. A verdade, além da realidade inventada que todos pensam real, é que não havia mais nada. Não havia passado para se recordar, e sequer a noção dele, não havia significados para serem compreendidos; nada para ser devorado pela razão ou calculado pelos números dos homens. Nada para ser visto com olhos humanos. Apenas música. Existindo. Pulsando. Os ruídos do vinil antigo rodando na vitrola, tornando aquele universo-música algo que não se pode descrever com meras palavras mortais.

E ela, dentro. Rodando no compasso perfeito do mundo mais real de que se tem notícia.

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Sobre Amanda

Uma atriz com um leão a rugir no peito.

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