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Santa chuva.

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Acordou com os olhos úmidos, de fartas lágrimas.

Embaçavam sua visão, teimando em não cair.

Não sabia de onde vinham.

Talvez de seus sonhos escuros. De pesadelos esquecidos. 

Já não lhe pertenciam: eram lágrimas mundanas, e ainda humanas.

Levantou-se lentamente observando as paredes, amareladas por cigarros há muito apagados. Teve vontade de gritar, não para que alguém a ouvisse, mas para talvez lembrar da própria voz, para que se fizesse ouvir. Mais uma de tantas tentativas de salvar-se.

Não gritou.

Acendeu um cigarro. Tossiu três vezes. Por que três? Ora, é sempre 3.

Não pensava em nada. Ou pensava em nada. A chuva de seus olhos molhando o tapete, sem pedir licença. 

Até então não havia se interessado em saber porque, mas de súbito perguntou-se, por mera curiosidade “por que choro sem sentir vontade ou fazer força? Que motivos?”.

 

Viu refletida no espelho uma figura irreal, cara amassada, olheiras profundas inundadas de tanta chuva, cabelos desgrenhados, rugas cansadas. Quando foi que tornou-se o que não era? Em que esquina perdeu-se? 

 

O tempo cansou-se de tanto esperar.  

Chorava e chovia à própria morte.

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Sobre Amanda

Uma atriz com um leão a rugir no peito.

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