Assinatura RSS

Os últimos.

Publicado em

A impotência. Eis um dos piores sentimentos do mundo.

Destruidor, corrosivo.

 

Ela ainda fitava seus olhos vidrados e pensava no quanto gostaria de fechá-los. Ou que abertos, tivessem vida.

Ainda apertava aquelas mãos quentes, segurava aquele corpo com o seu. Sentia seu cheiro, seu perfume misturado ao odor de seu último cigarro.

Ele tinha uma aparência serena, como quem sabe que recebeu sua última visita e que agora parte para uma última viagem, sem bagagem, sem adeus.

Não parecia ter lutado, não parecia ter sofrido. Mas ela sabia que sim; lutaram lado a lado. Protegiam-se aos gritos, como se estes fossem escudos. Suavam, buscavam forças, atravessavam corpos. Ela sabia que sobreviveria e isso a atormentava.

Sabia que o tempo passaria, que as tempestades iriam embora, e que tudo tem seu fim.

Mas como o mundo podia fazer sentido com aquele homem imóvel e cada vez mais frio sob ela? Como o mundo podia seguir vivo se

 

“O mundo está sempre acabando pra alguém”?

Agora ela sabia.

 

Pensava em por quanto tempo uma vida sangra até ficar completamente vazia. Pensava no fim. Nas coisas inacabadas, na teimosia de tudo que é vivo e insiste em pulsar justo quando ela quer que o mundo parecongeledefinhemorra. E sangre com ela. E sangre com ele. Por ele.

 

 

“Não é o fim.”

Anúncios

Sobre Amanda

Atriz da Cia CemCulpas e escritora de meia tigela.

Uma resposta »

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: