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Triste fim de quase memórias.

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Das memórias fiz um mingau. Quente, condensado, fervente. Irresistivelmente, não resisti: comecei a comê-lo pelas beiradas, vagarosamente, como quem pretende parar antes da colherada seguinte. E não para. 

Sem perceber, os movimentos vagarosos eram passado. Devorava avidamente o mingau que insistia em não ter fim, a ponto de engasgar e ainda assim não desistir. Persistia, e mais ele condensava-se, mais as memórias efervescentes se misturavam entre gostos antigos e aromas de outrora. 

Já não era possível distinguir as lembranças. O que era real, dos sonhos, fantasias, dos desejos que nunca chegaram a realidade. Esboços, desenhos, rascunhos para lembrar que nada durava para sempre. Dos momentos intensos, já não podia me recordar: eram apenas emaranhados de lembranças confusas quase irreais, de repente se misturando em meu sistema digestório, coisa jamais imaginada por quem quer que fosse.

E assim seria, o fim de uma história repleta de quases, que um dia pode ter existido e agora se vê triturada entre restos de fotografias, bilhetes, desenhos, palavras, pouca dor e fim. Muito fim.

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Sobre Amanda

Atriz da Cia CemCulpas e escritora de meia tigela.

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