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Pause. II

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Eu tenho medo.

Um medo surdo, mas que grita e que sabe doer. Um medo que me engole mesmo sendo invisível.

 

Eu tenho medo.

Que todos os esforços sejam parcos, que todas as tentativas sejam inábeis e que uma hora ou outra a corda arrebente. Aos poucos, silenciosa, esgarçando-se até o fim. Até o esforço final, o grande tombo dos lados que lutam, se debatem e então, quebram-se. Sem forças, o que resta são apenas cacos, fiapos, pedaços de qualquer história já contada. 

 

Pausa.

 

Eu poderia continuar. Poderia descrever a cena a seguir, os próximos passos. Varrer o que ficou, limpar tudo e arrumar a bagunça, pra recomeçar. Ou deixar, até que tudo fique empoeirado, cinza, carcomido. 

Mas não. Porque não precisa ser assim. Não precisa ser, simplesmente. Prefiro, por agora, congelar a cena, o suposto acontecimento infeliz e assim mantê-lo, como que em transe, em processo, sempre à beira de um quase, de um talvez. 

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Sobre Amanda

Atriz da Cia CemCulpas e escritora de meia tigela.

Uma resposta »

  1. O medo é um dos sentimentos mais humanos que existem.

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