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nada : vazio

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Eu me desnudo. E você não vê.

Pouco a pouco, dou sinais da minha fragilidade suplicante, dos erros que estão por vir e que sozinha não posso evitar.

Talvez não queira.

Suspiro a cada dois passos. Exaustão, fadiga, preguiça.

Cansei de esperas infinitas, de horizontes distantes. Cansei das horas que não passam e dos poucos bons minutos que já não rendem. Nada dura, nada permanece. 

E assim, não há nada. Nenhuma certeza, nada fixo em que acreditar. 

Passei tempo demais esperando por um milagre, alguma magia que pudesse me devolver as borboletas e o frio na barriga. Agora não passo de coordenada óbvia, demarcada, com limites claros e infelizes. 

Fui ficando assim, fui me apagando e me escondendo atrás de risos cotidianos, levantando meus muros de vidro. Fui me deixando, dizendo adeus, criando teias de aranha e camadas de pó. E ficou só o tédio, a rotina, o espectro robótico do que já fui. Que pensa (pouco) e já quase esquece de sentir.

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Sobre Amanda

Atriz da Cia CemCulpas e escritora de meia tigela.

Uma resposta »

  1. “E assim, não há nada. Nenhuma certeza, nada fixo em que acreditar.”

    Ai, estou me cansando de esperas infinitas, também! Esse seu texto disse tanto pra mim, me fez acordar um pouco pra realidade, porque parecia eu estar adormecido num desejo de sonho que não chega. Lindo!

    Responder

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