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Unhas vermelhas e coração partido.

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Acabou que eu precisei crescer.

Me senti obrigada. Ou não. Não.

Foi algo consequente. Passei por tantos percalços: lágrimas, enchentes, terremotos, tanta dor concentrada e insolúvel, que cresci. De uma hora pra outra eu era uma mulher. Uma mulherzinha de unhas vermelhas e coração partido.

Fiz coisas que jamais estiveram ao meu alcance.

Tá bom, quer mesmo que eu diga?

Eu tive uma ótima escada. Tive medo de subir, a princípio, de confiar. Mas acabei subindo e chegando lá em cima, onde não me era permitido estar.

Como se você  – ou melhor – a sua ausência anunciada, a sua partida repentina, fossem a minha carta de emancipação.

Passado o primeiro susto, fui juntando as pedras do caminho, decidi construir algo real e sólido. Era a minha resposta à inquisidora, provocadora frase: tente ser mais do que palavras.

Agora estou aqui. Vivendo uma espera que é só minha, voltando a cuidar da minha velha amiga solidão. E a gente tá se fazendo bem, se pegando nas mãos, revendo conceitos, andando sempre em frente com essa falta de peso, que é boa mas também sabe doer.

Mas a minha opção agora é outra: tudo que me faça sorrir sem acordos. Sorrir agora e não precisar chorar depois. Indolor, calmo, caminhando lentamente no escuro.

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Sobre Amanda

Uma atriz com um leão a rugir no peito.

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  1. Experimentar. Libertar. Permitir. Compreender a si mesmo. Fugir um pouco e encontrar outros caminhos. Ou dar uma grande volta para voltar para o mesmo. Enxergar uma plaquinha de direção que passou despercebida. Dar a ré ou engatar na quinta marcha e voar pela estrada. Caminhar no escuro e depois acender a luz.

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  2. “Mulherzinha de unhas vermelhas e coração partido” – Uma bela forma de descrever o amadurecimento fiminino! Gostei mesmo!
    Hoje em dias não pinto mais as unhas, nem de vermelho nem de cor nenhuma, mas acho que essa é uma fase que nunca passa… ela vai e volta conforme os humores da vida.

    Curta a sua solidão mas não se entregue totalmente a ela. Acredito muito pouco em relacionamentos exclusivos, ainda mais quando um dos pareceiros é tão agradávelmente perverso quanto a solidão!

    Responder
  3. Muito feminino o texto, Amanda. E por isso mesmo belo.

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