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Do impossível.

Publicado em

Largar as armas, lentamente.

Pousar as últimas esperanças no chão. Assisti-las definhar, até os últimos vestígios.

Cicatrizar todas as feridas abertas, depois de tê-las eu mesma perfurado, arrancando gritos, dores, entranhas.

Obstinadamente me torturo. Farpas, agulhas, resquícios cortantes de tudo que já fui.

Para esvaziar-me, largar todo o peso, caminho na direção oposta, ainda que a passos tortos, que pise em ovos. Ainda a mesma busca sofrêga, morte lenta, ao tentar encontrar algum equilíbrio.

E então, o que é que sobra? No fim de tanta busca, de cavar tão a fundo, a única coisa que se tem é as mãos sujas, as unhas cheias de terra, e o vazio de todo dia. Resultado de tantas esperas: a cova aumentando. À espera, minha, sua. E cavamos, mais e mais, na utopia de ali encontrar o grande trunfo, o fim das impossibilidades. E assim, tão fundo, não mais sairemos. Ali, nos enterramos.

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Sobre Amanda

Atriz da Cia CemCulpas e escritora de meia tigela.

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