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O infinito de uma espera.

Publicado em

Eu te esperava de (a)braços abertos.

Metafórica e realmente. Passava os dias vendo a vegetação crescer ao redor, sentada na velha estação, olhos impacientes à espreita, procurando.

Aguardava um trem, mesmo que não soubesse qual. Quando chegasse, eu saberia, teria certeza (a primeira de minha existência).

Ouvia ao longe os apitos, na esperança de que finalmente se aproximassem. No fim, sem saber porque nunca chegavam, resignei-me em uma incompreensão levemente confortável.

Sempre os mesmos dias.

Busquei entre tantos instantes uma certeza imediata, aleatória, qualquer coisa concreta para ter de companhia. Havia o pó, ao meu lado no banco, aumentando com absurda rapidez. Ou será que não?

Deparei-me então com um reflexo: minha imagem curvada, os cabelos embranquecidos. Enfim, depois de tantas batalhas ocultas, de tantos silêncios afiados, o grande encontro acontecera: eu estava diante do tempo.

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Sobre Amanda

Atriz da Cia CemCulpas e escritora de meia tigela.

»

  1. Só digo uma coisa. Me arrepiei. Beijos!

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  2. Muito bacana, Amanda. Gostei!

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  3. Belo texto, o final ficou ótimo. Já tinha lido na comunidade “Novos escritores do Brasil”. Um abraço!

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  4. Descobri seu blog por meio da comunidade do Bule no orkut. Gostei bastante. =)

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