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Sempre nunca.

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Ela parada, o corpo solto. Que pudesse ser dona pelo menos da sua própria dor, pelo menos isso, ela pensava. Qualquer coisa a que se agarrar.

Como se pudesse, no seu desespero mudo, pressentir todas as angústias e ausências do instante posterior.

Ria o seu riso bobo ao tentar dissimular os primeiros indícios daquela dorzinha aguda. Pontadas finas, intensas. Leves desesperos em uma fração de segundo. A dor muda que a atravessava inteira e depois parava, sóbria e crua.

Qualquer coisa a que se agarrar. Qualquer coisa pra apertar nas mãos.

Passara-se muito tempo desde suas primeiras catarses. As primeiras crises, quando ela ainda retorcia o corpo, os músculos, tentando não sentir o inevitável.

Mais tarde, prostrada na sua inabilidade, tentou tornar-se amiga de sua dor, já que haveria de conviver com ela. Não se sabia por quanto tempo.

Não entendia muito bem para que serviam tantos nuncas e para sempres, se tudo sempre acaba ou nunca começa.

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Sobre Amanda

Uma atriz com um leão a rugir no peito.

Uma resposta »

  1. Obrigada pelos elogios, Amanda!
    :)
    Lá eu escrevo coisas da minha vida mesmo, cotidianos, sonhos, problemas… Escrevo porque é das únicas coisas que consigo dar vazão à expressão.

    Volte sempre.
    ;*

    Responder

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