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Com as próprias mãos.

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Insalubremente mudei. Não de casa, de endereço, de telefone, de cargo. Não.

Mas decidi esconder melhor certas fissuras que de tão abertas, vazam o que não deveriam, o que é melhor guardar. Escondi a chuva, mandei-a entrar e assim, tranquei-a. Agora tenho a melhor das intenções: deixar que o sol estampe um sorriso nos meus lábios, ainda que dissimulado, pequeno, frágil. Talvez seja mais fácil afastar as nuvens para tranquilizar o coração, mesmo que demore. Deixar interno tudo que dói e sangra e insiste em gritar, para que ninguém mais veja ou possa escutar. Manter trancado tudo que incomoda e machuca a fim de que se cicatrize logo. Seguir, ainda que com passos tortos em outra direção. A direção do sol, da certeza e do recomeço.

Porque é preciso arrancar, nem que seja com as próprias mãos, nem que sangre mais do que se possa estancar. Necessito de um antídoto qualquer pra esse veneno e essa comodidade, qualquer tipo de coragem insana, uma luz no fim do túnel que seja real. Dolorosa e irreversivelmente real.

Ou ainda, resta a primeira (ou última?) opção: apagar todas as luzes, fechar os olhos e tatear no escuro. Que seja pra brilhar ou pra murchar, no escuro desse infinito particular.

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Sobre Amanda

Atriz da Cia CemCulpas e escritora de meia tigela.

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