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Novo-velho.

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Parando pra pensar, acho que sinto sim uma mudança. Talvez culpa do novo ano, talvez culpa dessa mania de tudo ter que ser novo o tempo todo pra não se tornar descartável.

Há qualquer coisa de diferente que quer crescer e gritar. Há uma nova nuvem, sombra, uma nova cor. Um novo com cheiro de coisa antiga, um mofo deliciosamente fresco.

Mas ainda não posso firmar os pés e dominar territórios. Não sei o que pode me pertencer sem sequer saber se me pertenço.

Tenho a impaciência da infância, que não enxerga bem as certezas e se afunda em querer.


A verdade é que me prendo nas minhas próprias armadilhas e vão-se formando nós apertados e sufocantes. Me enredo nas confusões que eu mesma crio a fim de entender o quebra-cabeça em que me tornei. Procuro as tantas peças que me faltam, os encaixes que ficaram por aí. E percebo que até as certezas irrefutáveis podem cair por terra ao toque da primeira brisa.

E se sou agora um amontoado de fios cortados, perdidos, enroscados, pedaços de certezas desbotadas e buscas indelevelmente insaciáveis intermináveis incontáveis? Tudo pra desembocar em algum lugar, lugar algum, lugar nenhum.

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Sobre Amanda

Atriz da Cia CemCulpas e escritora de meia tigela.

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