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Ela.

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Bruscamente parou.

Metade.

Enquanto seus passos teimavam em correr, prosseguir, sua essência, talvez aquilo que chamassem “alma”, queria ficar, permanecer, tomar seu lugar num instante de qualquer presente.

Não sabia se devia olhar para trás ou para frente. O coração aos saltos, querendo explodir numa angústia muda.

Muda.

O coração querendo explodir.

Querendo implodir em si todos os segredos sagrados, as juras mais escondidas, todos os ohares perdidos, cacos de vidros de algum fim inesperado.

Calava os gritos que há tanto tempo a habitavam. Deixava-os circularem por suas entranhas, alimentava-se de todas as respostas que nunca lhe haviam dado. Sabia-se nostálgica e  contraditória, sem poder admitir sua fraqueza delirante. Quanto mais corria, mais estava atrás, além, aquém, a quem?

Andava por trilhos cada vez mais tortos, queria perder-se e mais se encontrava. Queria encontrar-se mas perder-se de tudo que já lhe era desbotado e puído.

Era assim, exatamente assim. Ela se resumia em um devaneio. Desbotado. Puído. Esquecido. Não sabia chorar sem sorrir. Rugir sem rir.

Sublimava-se em respirações entrecortadas e condensava-se no efêmero de sua própria infinitude.

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Sobre Amanda

Uma atriz com um leão a rugir no peito.

Uma resposta »

  1. nossa amanda, que lindo. me deixou reflexiva
    muito bom, parabens!

    Responder

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