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O tempo das coisas.

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Não quero esperar.

Digo, não como uma afirmação infantil, batendo o pé; digo, com a calma das conclusões que chegam acidentais, enviesadas.

Acordei algo que dormia num disfarce preguiçoso, despertei a percepção das coisas do tempo. Esse tempo que não é paupável, pausável, que não é nosso (quando mal consegue ser dono de si mesmo).

Imaginei-me daqui a alguns anos: assim, parada, esperando aquela luz que pisca àquela exata hora, esperando o despertador tocar sempre igual, o microondas apitar, o namorado chegar, o salário cair, esperando uma ligação, uma resposta, uma verdade absoluta, esperando a vida chegar, começar, acontecer.

Não quero deixar que apenas o tempo me modifique. Inerte, enquanto o tempo brinca com as minhas rugas, com a minha gravidade, com os meus números chamados de anos. Não. Eu quero modificar o tempo, quero me colocar em cada um de seus segundos, nas inconstâncias de seus centésimos.

Quero envelhecer percebendo tudo. Quero uma sabedoria conquistada, e não apenas cabelos brancos. Quero uma bagagem pesada pra carregar, mas leveza no caminhar, no sentir.

Quero saber que cada ruga minha é fruto de algo que eu fiz, que eu provoquei, ou que me deixei provocar, mas de que fiz parte. Quero sim que as coisas me invadam, mas porque assim consenti. Jamais abrir mão da minha consciência insana, que tudo sente até as pontas dos fios de cabelo.

Não quero mais perder-me nas reentrâncias do tempo, prefiro que ele se perca em mim. Não digo asneiras, estou sóbria na minha própria loucura. Meus caminhos também são labirintos, reentrâncias, nós sem ponta.

Não mais ser objeto. Ser sujeito. Ativo. Ser o que se quer, não o que pretende. O que se é. Ser a verdade, além de ter uma. Abraçar a sua loucura, seja ela em forma de felicidade, choro ou palavrão, antes que você esteja cansado demais para abraçar qualquer coisa, para dar passos adiante. Andar para trás é fácil, caminhar em círculos também.

O caminho, que só se faz, se descobre, ao caminhar. Torto, bêbado, nebuloso. Ainda assim caminho, ainda assim maravilhoso.

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Sobre Amanda

Uma atriz com um leão a rugir no peito.

Uma resposta »

  1. lovethinglovechildlovetoy

    é..caminho de bebado é sempre alegre..HIUAHIUAH ah tive que dizer algo zuado! :P

    Responder

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