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Silêncio.

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Fiquei em silêncio. Primeiro, sem motivos, sem espreitar razões ou porquês. Depois, por ter todas as razões do mundo, sentir os porquês, apesar da enorme incapacidade em descrevê-los.

Resignei-me como de costume. Engoli as palavras e meu ego em forma de som e saliva e voz. Quando tentei articular palavra, nada me saía. A voz, embargada, como se quisesse dizer que nada havia para se dizer. Não faria sentido concatenar ideias fora de mim, quando ninguém havia que se habilitasse a ouvi-las e tampouco compreendê-las. Eu mesma não compreendia e ainda assim, com certa angústia a fazer-me do peito um nó, estava satisfeita. Não sei se por ter entendido que nem sempre o dito tem valor, ou que sempre temos ouvintes (o que não temos), ou ainda que nem tudo para existir precisa de voz e aprovação. Não descarto a hipótese de não ter entendido absolutamente nada, o que também não me desagradaria. Nem mesmo meu egocentrismo é onipotente, e custa-me admitir isto, mas assim é que se é. Talvez seja tempo de se desfazer de algumas grandes dores, encontrar outras, menos barulhentas e insípidas.

Sei que quebrei meu silêncio, mas não é tudo. Esse é o meu silêncio particular, não importa quantos ecos se façam ouvir. Nem tudo pode ser silêncio porque apenas o que resta é silêncio.

E no fim e no começo, o próprio silêncio fora a razão de tudo.

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Sobre Amanda

Uma atriz com um leão a rugir no peito.

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