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It’s not going to stop, till you wise up.

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Perco tempo demais buscando. Coisas que não virão, não serão. Há muito que não acredito nessas coisas. Esse desacreditar profundo também começa a incomodar. Antes desacreditava com profunda fé, agarrava-me em algo para não sair totalmente de mim e do “real”. Tudo tão subjetivo e eu procurando verdades, me agarrando em coisas que

É óbvio que quando se conquista o objeto de sonhos e noites em claro ou de sono conturbado, ele perde um pouco do seu valor. Assim, no mais das vezes, generalizando. Ou quando se começa a gostar de algo, a sentir, compreender. Acaba, some, perde o sentido. Não existe felicidade plena, e não digo absolutamente, porque não sou sábia e tenho de perder a mania de firmar preceitos, verdades absolutas absurdas. Toquei na ferida. Tantas buscas, tantos vazios percorridos e não sei o que extraí desse todo-tão-pouco. Continuo sentindo-me (e julgando-me, infelizmente) parca. Não tenho a pretensão de ser sábia, tão cedo. Mas nem o sentimento de aprendizado, tampouco o colocar em prática (re)tenho. Pretensiosamente, diria que tenho certo conhecimento, mas não a sabedoria para manuseá-lo. De que me servem todas essas teorias, as palavras apreendidas dos livros, as imagens grafadas em mim? Nada. Para fim nenhum, se não tenho o fogo a que se referiu Platão (e mais superficialmente, Hesíodo), o conhecimento, a sabedoria, esse “wise up”. Sinto falta da minha antiga praticidade. Vivo relapsa, esqueço propositadamente, erro por pura displicência, sem culpa. Criei-me um monstro que devora tudo sem nada absorver. Não me sinto pedante, pesada, impenetrável. Antes preferiria sentir-me hermética, do que vazia. Não faço confusão dos conceitos, dos números, datas e autores. Não sei se são eles que não se encaixam em nada, nesse mundo, nesses povos, ou se sou eu.
Provavelmente me questionarei enquanto viver. Desejarei mais sabedoria e situações palpáveis do que posso possuir. Não há remédio. Deixar-se sucumbir à ignorância ou recorrer às velhas tentativas inábeis de preencher os vazios. Tornar-se sábio ao invés de esburacado, como se cada passagem e passageiro deixassem essa grande lacuna, como se o próprio ser se transmutasse em filtro para todos estes pontos de interrogação gritantes.

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Sobre Amanda

Atriz da Cia CemCulpas e escritora de meia tigela.

Uma resposta »

  1. Concordo total e plenamente quando diz que as coisas perdem um pouco (ou seria muito) de seu valor quando as consegue. Não importa se é material/sentimental/espiritual, penso que o "cobiçar" é necessário. Palavras tão superficiais (as minhas) não poderiam ter vindo de alguém que está sempre feliz com tudo. Claro, não estou, mas acho que às vezes querer demais faz a cabeça doer de tão pesada, de tão cheia e inflada. Assim, rendo-me ao monstro do sofá e da sessão da tarde, ficando então à mercê do emburrecimento. No entanto, chamo o tratamento emburrecedor de "descarga". Nada é absorvido, mas (quase) tudo é expelido. Quero dizer então que ser sábio é algo que se adquire com o tempo (muito dele, obviamente) e na nossa idade, precisamos mais expelir do que absorver. Nossa, como falo merda… Já volto, vou ali ler a Veja e cagar.

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