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Quem tem alma não tem calma.

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Pensava nas minhas decepções. Buscava, como sempre, meus porquês, seus motivos, nos mais ínfimos detalhes.
Tomei consciência de algo até então nebuloso: não sei fazer nada BEM, sem alma.
Soa bobo, clichê [sic], sei.
Não sou só alma, aliás, bem menos que isso, mas compreendi que não realizo nada quando não coloco alma naquilo. Não consigo ouvir música sem alma, quase sempre. Não consigo entender qualquer arte sem alma. Não sou capaz de reconhecer outrem quando a alma se esvai de mim. Sequer consigo me expressar quando calo a alma das coisas. Parece meio místico falar assim, dizendo alma, alma, etc o tempo todo, mas não é, nada disso. Tem mais a ver com a concepção das coisas, com profundidade (mesmo que minhas palavras pareçam extremamente superficiais).
Ao mesmo tempo, entendo que não sou a mais indicada para falar de alma, eu e toda a minha contrariedade, minha falta de bom senso e minha metamorfose [camuflagem?] de sentimentos.
Nos últimos tempos tenho questionado até onde minha tal alma irá nesses novos caminhos, nas minhas escolhas que não mais parecem tão certas assim. Pela primeira vez em muito tempo, descubro a dúvida.
Talvez alguém diga que são os hormônios, talvez digam que é uma fase. Eu digo que tudo é fase, que a vida é só fases nas quais você espera a próxima, porque talvez não seja nem capaz de passar dessa.

Sinto-me uma farsa. Mentira ambulante que não cansa gritar sem ter para quem. Não existe lucidez.
Acho que nunca menti tanto quanto agora. Não é que tenha perdido a graça, mas esse tipo de mentira enjoa fácil demais, perde o sentido de ser, perde espaço. Não cabe mais. O que é que me cabe agora?
Ficarei a vida toda vagando e fazendo perguntas, buscando onde enfiar minha alma. É cedo? Parece cedo para dizer? Insanidade? Nós não sabemos o que é vida… Mas ainda prefiro perguntar demais a calar. Não quero de sorte alguma ser apenas por ser. Mais uma anestesiada. Para que? Para quem?
Não existe lucidez.

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Sobre Amanda

Uma atriz com um leão a rugir no peito.

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