Eu não sabia que era possível renascer sem antes morrer.
Ou talvez não tenha percebido as várias coisas que em mim foram morrendo e se dissipando, dando lugar a essa vida que agora me habita e me transborda.
Vida esta que foi crescendo aos poucos, se enraizando por cima de antigas cicatrizes, soprando os ventos daquilo que chamamos liberdade.
Entrei dona de verdades absolutas sem valor algum e saio sem delas precisar. Saio cada vez mais viva, cada vez maior, sem grandes verdades mas com muitos caminhos pela frente.
Não posso deixar de acreditar que me libertando, muitas outras pessoas se libertaram. Que deixando pra trás tanta falta de amor e hipocrisia, não tenha me tornado mais humana.
Reaprendi a sorrir.
Aprendi a ouvir, mais do que falar.
Descobri novas formas de olhar para o outro. De me relacionar. Descobri que somos imperfeitos e por isso mesmo, belos.
Descobri o significado das palavras energia e força. Descobri o que é fazer parte de uma união, mais do que de um grupo. Descobri que minha alma não sabe ser pequena, não sabe se calar. Descobri novas e tantas formas de amor.
E reaprendi a chorar. De alegria e saudade.
Vida longa ao delírio que em mim se instalou.









